Leonel Vieira (1969)
Leonel Vieira pertence à mais recente geração do cinema português, pretendendo para este um padrão mais internacional, mais livre das metáforas e do hermetismo que caracterizam grande parte dos filmes produzidos nos últimos trinta anos.
Começou por estudar "design", história da arte e técnicas de pintura na Escola de Arte Árvore, no Porto, após o que rumou a Madrid para frequentar o curso de cinema na Escuela Superior de Artes y Espectaculos TAI. Logo no primeiro ano do curso trabalhou como estagiário numa média-metragem "underground", Sueño de Fortuna.
Concluído o curso em 1992 regressou a Portugal, começando a desenvolver o projecto A Sombra dos Abutres (1997), com argumento da sua autoria, que viria a rodar na sua província natal, Trás-os-Montes. Dificuldades de distribuição fazem com que a estreia do filme se vá adiando, pelo que aceita dirigir uma produção mais comercial (apoiada justamente por uma estação de televisão privada, SIC), Zona J (1998), sobre um caso de racismo num bairro da periferia de Lisboa. O êxito de público permite a estreia de A Sombra dos Abutres, melhor acolhido pela crítica, que enaltece a desenvoltura da narrativa.
Entretanto, trabalha também em televisão, assinando uma série sobre um escândalo de pedofilia ocorrido nos anos 60, envolvendo figuras de topo do regime salazarista (Ballet Rose) e um telefilme, Mustang, em que mais uma vez mostra pautar o seu trabalho por parâmetros de ritmo e acessibilidade a nível da estrutura narrativa.
Em 2001 realiza dois filmes bastante díspares em termos de conteúdo e de recepção por parte da crítica: A Bomba, uma comédia, foi uma decepção para a maioria dos críticos, enquanto A Selva, a partir do romance homónimo de Ferreira de Castro, mereceu alguns elogios pela reconstituição histórica e cenográfica.
Autoria: Alcides Murtinheira