Instituto Camões CENTRO DE LÍNGUA PORTUGUESA / INSTITUTO CAMÕES

na Universidade de Hamburgo

Universität Hamburg

Centro de Língua Portuguesa em Hamburgo : Núcleos Temáticos : Cinema Português : Realizadores : António-Pedro Vasconcellos

António-Pedro Vasconcellos (1939)

Em termos académicos começou por frequentar o Curso de Direito. O convívio com um conjunto de vultos habituados a debater questões ligadas ao cinema (e que enveredariam profissionalmente por essa via), como Alberto Seixas Santos, João César Monteiro e Carlos Saboga, levou-o a interessar-se cada vez mais pela actividade cinematográfica. Inicia-se na crítica de cinema, dirige filmes publicitários e documentários como Exposição de Tapeçaria (1968), Indústria Cervejeira em Portugal — 2 (1968), Tapeçaria — Tradição Que Revive (1968), 27 Minutos com Fernando Lopes-Graça (1969), Fernando Lopes-Graça (1971), estes dois últimos bastante significativos, tendo em conta que as opções políticas do compositor Fernando Lopes-Graça lhe impediam o acesso a espaços de grande divulgação pública.

Em 1970 António-Pedro Vasconcellos é um dos co-fundadores do Centro Português de Cinema (C.P.C.), organismo criado por diversos cineastas ligados ao chamado "cinema novo" e que mereceu o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. É com produção do C.P.C. que surgirá o primeiro filme de fundo de António-Pedro Vasconcellos, Perdido por Cem... (1972), bastante influenciado pela "nouvelle vague" do cinema francês, com um certo tom de improvisação nos diálogos e uma linguagem técnica (aparentemente) informal.

Imediatamente após a Revolução de 25 de Abril, realiza para a Rádio Televisão Portuguesa o documentário Adeus, Até ao meu Regresso (1974) sobre uma geração marcada pela Guerra Colonial (o título era uma frase proferida por muitos militares quando enviavam pela televisão mensagens de Natal aos seus familiares no Continente). É também sobre o afastamento a média-metragem Emigr/Antes... e Depois?, sobre as férias em Portugal de algumas famílias de emigrantes.

Regressará à longa-metragem em 1981 com Oxalá, um filme ainda marcado pela realidade socio-política pós-Revolução e à dicotomia entre a vida em Portugal e no estrangeiro, corporizada desta vez no regresso dum jovem exilado em Paris.

Exerce entretanto funções de programador televisivo na área do cinema, salientando-se a divulgação que fez da obra de Alfred Hitchcock. Começa a interessar-se mais pela componente narrativa do cinema, encetando esforços no sentido de realizar um filme em que se conte uma história sem a carga simbólica e metafórica que caracterizava parte considerável do cinema português da época.

Após cerca de três anos marcados por dificuldades a nível da produção, estreia em 1984 O Lugar do Morto, que, com um argumento que algo policial (mas fugindo ao modelo tradicional), se viria a tornar um dos maiores êxitos de sempre do cinema nacional, para o que também contribui a coesão dum elenco vindo do cinema, da televisão e até do teatro de revista, mas invulgarmente bem dirigido.

As dificuldades económicas sentidas em diversos sectores da sociedade portuguesa nos anos 80 impedem um verdadeiro renascer do cinema português, em termos de regularidade de produção. Assim se explica que António-Pedro Vasconcellos só volte à realização em 1992, com uma série de televisão co-produzida por Portugal, Espanha e França, de que é exibida uma versão mais curta nos cinemas. Aqui d'El-Rei! aborda a presença duma força do exército português em Moçambique em finais do séc. XIX para dominar a revolta das tribos vátuas, o que o aproxima, a nível temático, mas não formal nem ideológico, do filme Chaimite, de Jorge Brum do Canto.

Em 1999 António-Pedro Vasconcellos realiza Jaime, outro êxito de público, em que mais uma vez se nota a preocupação de contar uma história de forma linear, mas sem cedências a nível da temática, neste caso o trabalho infantil.

António-Pedro Vasconcellos tem também desempenhado cargos de regência de técnica cinematográfica e desenvolvido actividade como ensaísta, recentemente em particular na área da televisão.

Autoria: Alcides Murtinheira

Actualizado em 06.02.2010 fvs