Instituto Camões CENTRO DE LÍNGUA PORTUGUESA / INSTITUTO CAMÕES

na Universidade de Hamburgo

Universität Hamburg

Centro de Língua Portuguesa em Hamburgo : Núcleos Temáticos : Cinema Português : Realizadores : António da Cunha Telles

António da Cunha Telles (1935)

António da Cunha Telles começou por estudar Medicina na Universidade Clássica de Lisboa, mas acabou por dedicar-se ao cinema, indo viver para Paris em 1956 com o objectivo de frequentar o Institut des Hautes Études de Cinema, onde obtém em 1961 o diploma de Realização.

De regresso a Portugal assumiu funções directivas nos Serviços de Cinema da Direcção-Geral do Ensino Primário e dirigiu cursos de cinema na Mocidade Portuguesa.

Em 1962 realiza o documentário Os Transportes, justamente para a Direcção-Geral do Ensino Primário e dá início a uma actividade de produtor que o tornará indissociável do chamado "cinema novo". É sua a produção d'Os Verdes Anos (1963), do realizador Paulo Rocha, filme considerado pela generalidade dos estudiosos do cinema português como introdutor dum movimento cinematográfico que corta amarras com um estilo convencional em decadência e se assume como moderno a nível narrativo e técnico.

António da Cunha Telles continuará a apoiar esse "novo" cinema até 1967, altura em que a falta de êxito comercial dos filmes desse movimento o forçam a abandonar a regularidade do seu trabalho de produtor. Nesse ano de 1967 começa a realizar o Cine-Almanaque, um jornal de actualidades cinematográficas de que são exibidas doze edições.

A sua estreia como realizador no âmbito da longa-metragem dá-se em 1970 com O Cerco, filme duma linguagem moderna que lança uma jovem actriz com um estilo de representação verdadeiramente cinematográfico: Maria Cabral.

Em 1972 António da Cunha Telles roda um documentário sobre a ilha donde é natural: Madeira — Um Inverno de Sol.

O seu filme seguinte estreia cerca dum mês antes da revolução de 25 de Abril de 1974 e é uma reflexão sobre a chamada "geração de 60", responsável por atitudes de contestação nomeadamente a nível universitário.

Depois da Revolução assina Continuar a Viver ou Os Índios da Meia-Praia (1976), o relato de novas experiências socio-económicas duma comunidade piscatória algarvia, como a reconstrução de casas abandonadas e a criação duma cooperativa de pesca.

Volta ao terreno da ficção em Vidas (1984), sobre uma geração algo desencantada e uma certa marginalidade em que se integram sectores da burguesia. O filme marca o regresso aos écrans portugueses de Maria Cabral, a protagonista de O Cerco.

Pandora ou Setembro e uma Ternura Confusa é uma co-produção luso-francesa de 1993 sobre os relacionamentos sentimentais de várias personagens. Ao cuidado técnico não corresponde uma narrativa susceptível de atrair a atenção dum público mais habituado a processos de certa linearidade no desenvolvimento dos enredos, pelo que, enquanto realizador, António da Cunha Telles nunca logrou tornar-se tão conhecido como na qualidade de produtor.

Autoria: Alcides Murtinheira

Actualizado em 08.03.2006 kc