Instituto Camões CENTRO DE LÍNGUA PORTUGUESA / INSTITUTO CAMÕES

na Universidade de Hamburgo

Universität Hamburg

Centro de Língua Portuguesa em Hamburgo : Núcleos Temáticos : Cinema Português : Realizadores : Luís Filipe Rocha

Luís Filipe Rocha (1949)

Antes de se dedicar à realização fez-se notar como actor, chegando mesmo a desempenhar um papel de certo relevo em O Recado (1971), de José Fonseca e Costa. Como realizador inicia a sua actividade após a Revolução de 25 de Abril de 1974, com documentários imbuídos do espírito político da época: Nós, no País 1 (1975), Nós, no País 2 (1975) e Barronhos — Quem Teve Medo do Poder Popular? (1976), sobre um assassinato cometido num bairro da lata da periferia de Lisboa.

A primeira longa-metragem de Luís Filipe Rocha baseia-se numa célebre fuga de presos políticos ocorrida no Forte de Peniche. Intitulado precisamente A Fuga é um exemplo de cinema assumidamente político, o que também se verifica, embora de forma menos directa, em Cerromaior (1980), a adaptação do romance homónimo de Manuel da Fonseca, nova recriação do ambiente repressivo do Estado Novo, em que é dada uma maior relevância ao espaço (Alentejo) do que se verifica na obra literária.

Interessado pela obra de Jorge de Sena, dedica dois anos (1982-1984) à preparação de Sinais de Vida — Breve Sumário da Vida e da Obra de Jorge de Sena, uma viagem pelos temas da obra do autor, nas áreas da poesia, da ficção e do teatro. A Jorge de Sena regressará uma década depois, após rodar em Macau Amor e Dedinhos de Pé, a partir da obra homónima de Henrique de Senna Fernandes cuja acção decorre em 1900.

Sinais de Fogo (1995), a adaptação da obra original de Jorge de Sena, é um dos raros filmes portugueses a debruçar-se sobre os reflexos da Guerra Civil da Espanha na sociedade portuguesa. Filme de grande rigor técnico, apresenta uma eficaz reconstituição da sociedade figueirense dos anos 30, numa fase de consolidação do regime salazarista.

Adeus, Pai (1996) continua a marcar a originalidade de Luís Filipe Rocha no panorama cinematográfico nacional, onde os filmes para (e sobre) a infância e a adolescência são relativamente raros. A relação entre pai e filho adolescente é o tema da película mais popular do realizador, fruto não só da acessibilidade da narrativa como também duma promoção eficiente em termos televisivos, o que faz notar quão importante é o patrocínio das estações de televisão na carreira dum filme.

Camarate (2000) é uma obra de ficção tendo por base um facto real nunca devidamente esclarecido perante a opinião pública: o processo jurídico (sucessivas vezes arquivado) relativo ao acidente de aviação que vitimou o primeiro-ministro Sá Carneiro e o ministro da Defesa Amaro da Costa e seus acompanhantes, aquando a campanha presidencial de Dezembro de 1980. As reacções ao filme dividiram-se entre o elogio à escolha e ao tratamento do tema (uma juíza que decide investigar directamente a probabilidade de crime político) e a crítica à técnica algo televisiva de condução da narrativa. O processo, que havia sido arquivado pouco antes da estreia do filme, foi, entretanto, mais uma vez retomado.

Autoria: Alcides Murtinheira

Actualizado em 06.02.2010 fvs