Instituto Camões CENTRO DE LÍNGUA PORTUGUESA / INSTITUTO CAMÕES

na Universidade de Hamburgo

Universität Hamburg

Centro de Língua Portuguesa em Hamburgo : Núcleos Temáticos : Cinema Português : Realizadores : Perdigão Queiroga

Perdigão Queiroga (1916-1980)

Perdigão Queiroga começou por estudar técnica cinematográfica, especializando-se nos campos da fotografia e da montagem. Entre 1936 e 1943 trabalhou como assistente de operador em diversas produções. Em 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, rumou aos Estados Unidos, onde teve a oportunidade de trabalhar no sector de montagem dos estúdios da Paramount, particularmente em filmes de actualidades. Regressou a Portugal em 1946, começando a preparar o que viria a ser a sua primeira longa-metragem e um maiores êxitos de sempre do cinema português: Fado — História duma Cantadeira. Rodado em 1947 e baseando-se, de forma livre, em aspectos biográficos da artista principal, Amália Rodrigues, o filme popularizaria alguns dos melhores temas dos compositores Frederico de Freitas, Frederico Valério e Jaime Santos, e revelaria a mestria técnica de Perdigão Queiroga.

Em 1951 realizou dois dos poucos filmes interessantes da década que se iniciava: Madragoa, um melodrama sobre conflitos de classe que apresentava num dos principais papéis um dos nomes míticos do fado, Ercília Costa, e Sonhar é Fácil, cujo enredo, apontando a certa altura para a criação duma cooperativa popular, suscitou alguma controvérsia, levando mesmo um crítico a escrever, em tom depreciativo, que o filme "puxava para o socialista".

A apologia dos valores simples da vida pontuaria a generalidade dos seus filmes, nomeadamente de Os Três da Vida Airada (1952), com argumento de Manuel da Fonseca, Planície Heróica (1953), a partir do romance homónimo de Manuel Ribeiro, O Milionário (1962) e Parque das Ilusões (1963), permanecendo laivos de um neo-realismo de certo modo já fora de época. Em 1960 merece destaque a sua adaptação do clássico de Júlio Dinis As Pupilas do Senhor Reitor por se tratar do primeiro filme português em cinemascópio.

Perdigão Queiroga dedicou-se também à publicidade e ao documentarismo, neste último caso sem o mérito cultural presente nos trabalhos de outros cineastas da mesma geração, mas com a eficiência técnica que sempre o caracterizou: Imagens do Palácio da Bolsa (1948), Viagem Presidencial a Moçambique (1956), Arouca (1958), Portugal de Cristo — O Cristo-Rei (1960), Tapada no Outeiro (1961), Inverno em Portugal (1971), Trabalho e Tradição / Cultura do Vinho Verde (1972), Póvoa do Varzim: Cidade Nova, Terra Milenária (1974) e Gabriela em Portugal (1978), sobre a presença da actriz brasileira Sónia Braga em Portugal, na sequência do êxito da telenovela "Gabriela" na televisão portuguesa.

Autoria: Alcides Murtinheira

Actualizado em 06.02.2010 fvs