Instituto Camões CENTRO DE LÍNGUA PORTUGUESA / INSTITUTO CAMÕES

na Universidade de Hamburgo

Universität Hamburg

Centro de Língua Portuguesa em Hamburgo : Núcleos Temáticos : Cinema Português : Realizadores : Eduardo Geada

Eduardo Geada (1945)

Licenciado em Estudos Anglo-Americanos pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, ganhou formação cinematográfica, como outros cineastas da sua geração, através do movimento cineclubista. Desenvolveu a partir de 1968 intensa actividade como crítico de cinema em diversas publicações.

Como realizador tem dividido a sua actividade entre o cinema e a televisão.

O seu primeiro filme, Sofia ou a Educação Sexual (1973), foi um dos últimos a serem proíbidos pela censura, vindo a estrear só após a Revolução de 25 de Abril. Com a participação entre os intérpretes de nomes de vulto da cultura portuguesa, como David Mourão-Ferreira, Jorge Peixinho e Eduardo Prado Coelho, e a assistência de realização dum outro reputado crítico de cinema, João Lopes, o filme criaria expectativas a que a obra futura do cineasta não corresponderia totalmente.

Imediatamente após a Revolução, dedica-se a trabalhos com uma vertente sociológica própria da época. Os documentários Lisboa, o Direito à Cidade, A Revolução está na Ordem do Dia e Temos Festa, feitos para televisão, analisavam a nova realidade portuguesa dum ponto de vista marxista, comum a outras produções desse período que constituem hoje documentos históricos de inegável valor. O mesmo se aplica ao trabalho colectivo As Armas e o Povo (1975), de que foi um dos realizadores e que ilustra a semana que decorreu entre o dia da Revolução e o primeiro 1º de Maio celebrado em liberdade, reflectindo também sobre os quarenta e oito anos que mediaram entre o golpe militar de 28 de Maio de 1926 e a queda do marcelismo.

O Funeral do Patrão (1975), com base numa peça do dramaturgo italiano Dario Fò, e A Santa Aliança (1977), com argumento do próprio Geada, assumem o carácter algo panfletário dalguma produção pós-revolução.

nicia a década de 80 com trabalhos válidos feitos para televisão a partir de obras e figuras da literatura portuguesa: Mariana Alcoforado (1980), com base nas cartas atribuídas a Sóror Mariana Alcoforado, religiosa do Convento de Beja, no séc. XVII, e a série Lisboa: Sociedade Anónima (1982-1983), com os filmes O Banqueiro Anarquista (sobre texto homónimo de Fernando Pessoa), O Homem que não Sabe Escrever (textos de Almada Negreiros e o ambiente conducente ao golpe militar de 28 de Maio de 1926), A Impossível Evasão (sobre Urbano Tavares Rodrigues), Uma Viagem na nossa Terra (a partir de José Rodrigues Miguéis) e O Ritual dos Pequenos Vampiros (sobre José Cardoso Pires).

Regressa à longa-metragem em 1983 com Saudades para D. Genciana, a partir de quatro histórias de José Rodrigues Miguéis, mas a ressonância junto da crítica e do público é escassa. Volta a trabalhar para a televisão com A Forma das Coisas (1986), Uma Aventura em Lisboa (1989) e Retratos da Madeira (1990).

A sua última longa-metragem, Passagem por Lisboa, data de 1993 e é uma homenagem à memória do cinema (o filme é, aliás, dedicado a Félix Ribeiro e Luís de Pina, dois pilares da Cinemateca Portuguesa, falecidos anos antes), com uma curiosa mistura entre ficção e realidade, ao revisitar a Lisboa do início da década de 40 e a presença em solo nacional de nomes célebres como Pola Negri, Leslie Howard, o Duque de Windsor, Primo de Rivera e, supostamente, Victor Laszlo (de Casablanca). O filme passou algo despercebido, tão despercebido como a actividade de Eduardo Geada nos últimos anos.

Autoria: Alcides Murtinheira

Actualizado em 06.02.2010 fvs