Instituto Camões CENTRO DE LÍNGUA PORTUGUESA / INSTITUTO CAMÕES

na Universidade de Hamburgo

Universität Hamburg

Centro de Língua Portuguesa em Hamburgo : Núcleos Temáticos : Cinema Português : Realizadores : Augusto Fraga

Augusto Fraga (1920-2000)

Augusto Fraga realizou o seu primeiro documentário com 15 anos, O Lançamento do Pedro Nunes (1935), após o que se seguiu uma actividade como jornalista e crítico de cinema nas principais revistas de actualidades cinematográficas dos anos 30: "Imagem", "Animatógrafo" e "Cinéfilo" (da qual chegou a ser director).

Em 1940 colaborou com a Comissão das Festas centenárias ao realizar Portugal, Oito Séculos de História. Durante parte da década de 40 privilegiou o jornalismo em detrimento do cinema, a que só voltaria em 1947 para realizar diversos interlúdios musicais (vários deles com Amália Rodrigues), pequenos filmes que ilustravam canções popularizadas pela rádio: Fado Amália, Fado do Emigrante, Eu disse Adeus, Lamentos, Fado Lisboa, Fado Mouraria, Fado Malhoa, O Meu Amor na Vida, A Ronda dos Bairros, Rua do Sol, Só à Noitinha. Nesse ano parte para a Espanha, onde permanece até finais de 1948 e realiza algumas curtas metragens.

Regressado a Portugal continua a dedicar-se ao jornalismo, tornando-se cada vez mais perceptível uma colagem às ideias do regime, visível também na sua produção cinematográfica. Até 1970, data dos seus últimos filmes, foi intercalando a realização de documentários com longas metragens, não ultrapassando nunca o convencionalismo a nível dos argumentos e dos processos técnicos. Dos documentários salientam-se Lisboa de Ontem e de Hoje (1956), Paisagem Atlântica (1957), Jardim Zoológico (1958), Monsanto, a Aldeia Mais Portuguesa (1958), Prisões de Vidro (1958), sobre o Aquário Vasco da Gama, Imagens de Lisboa (1959), Guiné — Terra Ardente (1960), Angola (1961), ABC a Preto e Branco (1964) e As Ilhas do Meio Mundo (1970), sobre o arquipélago de São Tomé e Príncipe.

O seu primeiro filme de fundo é Sangue Toureiro (1958) e pode dizer-se que a sua única contribuição para o panorama cinematográfico português residirá no facto de ter sido a primeira longa metragem a cores. As presenças de Amália Rodrigues e do toureiro Diamantino Vizeu nos principais papéis visavam atrair o público, mas, mesmo a nível comercial, a história da paixão entre o herdeiro duma vasta propriedade rural e uma fadista esteve longe de ser um êxito.

A mesma falta de popularidade dos melodramas Raça (1961) e Um Dia da Vida (1962) leva Augusto Fraga a juntar dois nomes muito conhecidos da televisão e da canção, António Calvário e Madalena Iglésias, em Uma Hora de Amor (1964). O êxito comercial surge enfim, não pelo valor do argumento mas pela fama dos protagonistas, aos quais nunca seriam de exigir especiais dotes de interpretação.

Em 1965, em plena Guerra Colonial roda 29 Irmãos, um dos poucos filmes a abordar (ainda que muito ligeiramente) o tema, e A Voz do Sangue, inteiramente rodado em Angola. A pouca aceitação do público e da crítica acentuar-se-ia na sua última longa metragem, Traição Inverosímil (1970), adaptada do romance homónimo de Domingos Monteiro, em que uma troca de identidades retira ao argumento alguma da sua já de si escassa lógica.

Após a Revolução de Abril de 1974, Augusto Fraga viria a dedicar-se à co-autoria de espectáculos de revista, constituindo alguns deles o que pode considerar-se como os últimos verdadeiros grandes êxitos desse género teatral, actualmente quase desaparecido.

Autoria: Alcides Murtinheira

Actualizado em 06.02.2010 fvs