Instituto Camões CENTRO DE LÍNGUA PORTUGUESA / INSTITUTO CAMÕES

na Universidade de Hamburgo

Universität Hamburg

Centro de Língua Portuguesa em Hamburgo : Núcleos Temáticos : Cinema Português : Realizadores : Henrique Campos

Henrique Campos (1909-1983)

Henrique Campos começou como actor de teatro, em 1931, partindo alguns anos depois para a Espanha, onde estudou os aspectos técnicos relacionados com a actividade cinematográfica, que viria a abraçar, já em Portugal, em 1946. O seu primeiro filme foi Um Homem do Ribatejo (1946), constituindo o ponto de partida para uma série de filmes, não só da sua autoria (embora também tivesse rodado Ribatejo em 1949 e Os Toiros de Mary Foster em 1972), ambientados na lezíria, exaltando os valores do chamado "mundo dos touros" e com um ou dois fados na banda sonora.. No início da sua carreira, Henrique Campos ilustrou canções interpretadas por nomes conhecidos da música ligeira e do fado, realizando o que então se designava de "interlúdios musicais", curtos filmes que, nos cinemas, antecediam a exibição do filme principal: A Canção do Cigano (1949), Canção Fadista (1949), Fado Hilário (1949), Rainha Santa (1949), Canção Serrana (1950), Candeeiro da Esquina (1950), Catraia do Porto (1950).

Henrique Campos tinha do cinema uma visão comercial e, na sua profícua carreira, procurou sempre corresponder ao que considerava ser o gosto da maioria dos espectadores que assistiam a filmes portugueses. O número destes espectadores ia, porém, diminuindo, coincidindo o período de maior actividade de Henrique de Campos com o progressivo declínio do chamado "cinema comercial" português, que não conseguia competir com produções internacionais feitas com muito melhores condições financeiras e artísticas.

Perseguindo essa vertente comercial, Henrique Campos procurava nomes populares, que, podendo mesmo nem ser actores, assegurariam algum êxito de bilheteira: cantores popularizados pela rádio e pela televisão (Alberto Ribeiro e Deolinda Rodrigues em Cantiga da Rua, de 1949; Alberto Ribeiro em Rosa de Alfama, de 1953; Tony de Matos em O Destino Marca a Hora, de 1970), o ciclista Alves Barbosa em O Homem do Dia (1958) ou nomes do incipiente movimento de "rock" português do início dos anos 60 (Zeca do Rock em Pão, Amor e... Totobola!, de 1963; Vitor Gomes e os Gatos Negros em Canção da Saudade). Adaptou também ao cinema peças que haviam obtido grande êxito nos palcos, mas nunca logrou retirar a esses trabalhos o "peso teatral" e dar-lhes um tom mais cinematográfico: Duas Causas (1952), Quando o Mar Galgou a Terra (1954), Perdeu-se um Marido (1956) e A Maluquinha de Arroios (1970).

As suas outras longas-metragens, por cujos argumentos era também, total ou parcialmente, responsável, pouco acrescentaram à qualidade geral do seu percurso, apesar de serem de estilos diferentes: a exaltação religiosa surge em A Luz Vem do Alto (1959), a comédia de absurdo em O Ladrão de Quem se Fala (1968) e o melodrama romântico em Estrada da Vida (1968). Este último filme merece, todavia, algum destaque por constituir a estreia em cinema duma actriz emblemática da cinematografia nacional: Laura Soveral.

À semelhança de outros cineastas da sua época, Henrique Campos dedicou-se também pontualmente ao documentarismo, deixando trabalhos pouco significativos do ponto de vista cinematográfico, mas que valem hoje pelas informações (visuais) que fornecem de lugares e instituições nas décadas do Pós-Guerra: Guadiana (1949), Santa Luzia (1949), A Ilha Verde (1954), Férias... Num Lugar ao Sol (1962), sobre uma colónia de férias da Federação Nacional para a Alegria no Trabalho (F.N.A.T.) e Os Novos Hospitais Civis (1967).

Depois da Revolução de 25 de Abril de 1974, Henrique de campos radicou-se nos Estados Unidos, tendo como última ambição profissional realizar um filme sobre as comunidades portuguesas naquele país, a que daria o título de Como os Estados Unidos Receberam os Portugueses. Não viveu, porém, o suficiente para o concretizar.

Autoria: Alcides Murtinheira

Actualizado em 06.02.2010 fvs