Instituto Camões CENTRO DE LÍNGUA PORTUGUESA / INSTITUTO CAMÕES

na Universidade de Hamburgo

Universität Hamburg

Centro de Língua Portuguesa em Hamburgo : Historial

Versão Portuguesa

Historial

Deutsche Version
Data de 1919 o início do ensino da língua portuguesa na Universidade de Hamburgo. A própria Universidade era então fundada com base em princípios democráticos, na sequência das transformações que a Primeira Guerra Mundial operara na sociedade alemã e europeia em geral, e em raízes que remontavam a 1613, quando se criara em Hamburgo uma academia liceal, já vocacionada para o que mais tarde se designaria de ensino superior.

A primeira leitora de Português foi Louise Ey, que ocuparia o cargo até 1923. A sua amizade por Carolina Michaela de Vasconcellos, lusófila alemã que leccionava na Universidade de Coimbra, levou-a a aprofundar ainda mais o seu interesse pela cultura portuguesa, pelo que, a par das suas funções docentes, traduziu também obras de Trindade Coelho, Júlio Dantas e Eça de Queiroz, entre outros.

Criado o Instituto de Alta Cultura (ICALP), o estado português começou a apoiar a nível financeiro e de apetrechamento material os leitorados de Português de várias universidades estrangeiras, entre as quais a de Hamburgo. Foi o Prof. Manuel Paiva Boléo, ligado à Universidade de Coimbra, o primeiro leitor de nacionalidade portuguesa a exercer funções em Hamburgo, em 1931. Seguiram-se-lhe outros docentes portugueses, seleccionados pelo ICALP, de que são de salientar o ensaísta Eduardo Lourenço, actualmente a residir na França, o Dr. Luís Pazos Alonso, que mais tarde enveredaria pela carreira diplomática, chegando a ocupar o posto de embaixador de Portugal na Alemanha, e o Dr. João Barrento, divulgador também da cultura germânica em Portugal.

Por iniciativa do leitorado de Português, ou com o seu apoio, passaram por Hamburgo, a fim de proferirem palestras, diversos professores de universidades portuguesas, como Lurdes Moutinho (da Universidade de Aveiro), Andrée Crabbe Rocha, Carlos Reis, Clarinda Azevedo Maia, Fernando Catroga, José Augusto Bernardes, José Seabra Pereira, Ofélia Paiva Monteiro (da Universidade de Coimbra), Alexandra Lopes, Inês Espada Vieira, Isabel Capeloa Gil, Maria Lúcia Garcia Marques (da Universidade Católica - Lisboa), Teresa Cadete, Teresa Seruya (da Universidade Clássica de Lisboa), Clara Rocha, Fernando Clara (da Universidade Nova de Lisboa), Maria de Fátima Marinho e Rosa Porfíria Bizarro (da Universidade do Porto), bem como um número significativo de escritores do mundo lusófono, cujas alocuções visavam também um público extra-universitário: Agustina Bessa-Luís, Almeida Faria, António Callado, António Lobo Antunes, Fernando Bonassi, Hélia Correia, Ignácio de Loyola Brandão, João Aguiar, José Saramago, Lídia Jorge, Luís Cardoso, Luís de Sttau Monteiro, Maria Ondina Braga, Mia Couto, Moacyr Scliar, Raquel Queiroz, Ruben Fonseca, Teolinda Gersão e Urbano Tavares Rodrigues.

Em 1978, o Ministério da Cultura de Portugal, deixou de enviar docentes para o ensino da língua e cultura portuguesa na Universidade de Hamburgo, passando a última docente escolhida pelo ICALP, Prof. Maria de Fátima Figueiredo-Brauer, a integrar os quadros da Universidade.

A partir de 1989 foi-se fomentando o intercâmbio com universidades portuguesas, à luz dos Programas SOCRATES e ERASMUS. Estudantes portugueses passaram a usufruir da oportunidade de frequentar a Universidade de Hamburgo durante uma parte do ano académico, enquanto a estudantes desta instituição é dada a possibilidade de aperfeiçoarem os seus conhecimentos de Português nas Universidades de Aveiro, Coimbra, Minho (Braga), Nova (Lisboa), Porto e Católica (Lisboa e Viseu).

Sendo a Alemanha um país onde o lusitanismo ressalta a nível europeu, merece especial menção a realização na Universidade de Hamburgo, em 1993, do 4º Congresso da Associação Internacional de Lusitanistas, com quase três centenas de participantes de diversos países, que testemunharam também a oficialização da Associação Alemã de Lusitanistas, que conta já com mais de duzentos filiados. As actas do Congresso foram coordenadas pela Prof. Mária de Fátima Figuereido-Brauer, que, anos depois, juntamente com o Prof. Dr. Martin Neumann, encetou os contactos necessários junto do Instituto Camões (que, desde 1992, substitui o ICALP na orientação do ensino da língua portuguesa e na difusão das culturas lusófonas no estrangeiro) para que se criasse um Centro de Língua Portuguesa na Universidade de Hamburgo.

Com um espaço próprio na Faculdade de Letras da Universidade, dotado de material bibliográfico e multi-média, o Centro iniciou oficialmente as suas actividades no Semestre de Verão de 2002. A sua primeira responsável, nomeada pelo Instituto Camões, foi a Dra. Alexandra Pinho, actual conselheira cultural da Embaixada de Portugal em Berlim.

Além do apoio às actividades levadas a cabo pelo Centro - por vezes também em espaços exteriores à Universidade -, o Instituto Camões atribui a alguns estudantes bolsas para a frequência de cursos de língua e cultura em universidades portuguesas. Desde a sua abertura, o Centro tem sido palco de exposições, ciclos de cinema e palestras de diverso teor, além de ser frequentado por todos os que desejem consultar ou requisitar livros e publicações periódicas (jornais e revistas) ou inclusivamente assistir à exibição de filmes e programas de televisão em língua portuguesa. Pontualmente a sala do Centro é também utilizada para a leccionação de aulas relacionadas com a componente de Português do Instituto de Românicas, onde o Centro se integra.

Alcides Murtinheira

Actualizado em 14.07.2006 kc